Hino da Associação de Fuzileiros

(Aprovado em Assembleia Geral)

 

Como outrora cruzámos os mares

E lutámos em terras sem fim,

Almas fortes na clara alvorada

Entre um rio de lodo e o capim.

 

Nossas boinas são da cor das trevas,

Que rasgámos de noite ao luar

Negras trevas manchadas de sangue

Dos amigos mortos além-mar.

 

Desfilai oh fuzileiros mortos

E juntai-vos ao nosso cantar,

Há mil sonhos ainda a viver,

Mil batalhas ”inda” por ganhar.

 

Recordai companheiros Bolama,

Recordai Cantanhez e o Cacheu

Onde um dia acendemos a flama

Que nos céus da Guiné se perdeu.

 

E o Zaire” inda” ao longe nos chama

Chilombo pergunta por nós

Nessa Angola onde a dor se derrama

Fomos dignos dos nossos avós.

 

Moçambique nunca esqueceremos:

quanto sangue deixámos por ti!

Do Zambeze às terras do Niassa,

Tua voz nos dizia “venci”.

 

Quer na paz, quer na guerra cantemos

O orgulho de quem sabe ser

Marinheiro e soldado na terra

Que jurámos querer defender.

 

“Onde quer que nos chamem estaremos

Onde quer que nos mandem lutar

Nossas almas na noite sem medo

Nossas boinas de novo ao luar.

 

Como sempre gritemos “presente”

Como sempre marchemos a par,

Só tem pátria quem sabe morrer,

Só tem pátria quem sabe lutar.

Poema de Diogo Pacheco de Amorim

Música de José Campos e Sousa (1975/1976)