Artigo do sócio n.º 980, João Rainho

É urgente salvar o planeta? É… uma história na primeira pessoa

João Rainho, nascido num dia de Outono, em Vila Nova de Paiva em 1978. Desde pequeno que sonhar acordado fez parte do dia a dia. Imaginar grandes aventuras, conquistas, de fazer grandes feitos para a humanidade, de levar mais além o bem-estar do planeta Terra. 

Uma grande parte da minha vida foi dedicada ao Ser Humano. O ingresso voluntário nos Fuzileiros com 17 anos mal feitos, o cuidar dos outros como bombeiro voluntário, a manter a segurança dos banhistas como nadador-salvador e a preservar, manter e enriquecer a natureza por onde quer que passasse ou estivesse. 

Desde cedo que a paixão pelo meio aquático me fez fugir da escola para perceber mais sobre os rios, riachos e lagoas da minha região. Perdia (ou ganhava) o tempo observando a vida aquática. Fui crescendo, e da curiosidade dos rios, para a curiosidade sobre o “azul profundo” foi um pequeno passo. Passei de observar lagostins e sapos, para observar raias e outros peixes. 

Sendo o mergulho recreativo um desporto caro e o dinheiro não abundava, iniciei-me sozinho na caça submarina onde evolui bastante e me aguçou ainda mais a curiosidade pelas profundezas, pelo que podia haver mais além. Depressa passei para a profissão de alto risco de mergulhador comercial. 

Uma profissão sem dúvida aliciante e alucinante. As viagens para diferentes países e novas culturas fez também com que a perceção da realidade seja bastante evidente. 

Das variadíssimas experiências profissionais e pessoais que ao longo do tempo fui ultrapassando foi-se enraizando o tema do meio ambiente, sobretudo a nível da água e que a sua preservação é de caráter urgente e mundial.

É urgente salvar o planeta, é urgente limpar os nossos oceanos, mares, rios e lagoas. A vida marinha desaparece a cada instante, espécies extinguem-se num piscar de olhos. Há um “esquecimento” da frase “somos o que bebemos/comemos”. 

Pela vontade pessoal de preservar o que existe na natureza nasceu uma ideia que foi tomando forma e da mesma começaram a ser tomadas diligências para que um feito único fosse concretizado.

Trocas de ideias, vivências, horas de trabalho, pesquisa, recurso a entidades nacionais, reuniões, e muito esforço da equipa Oceanum Liberandum (uma organização não governamental, com três membros, sendo eu um deles) começou a dar sinais de que algo estava para acontecer. Começaram a levantar-se questões de nível privado e público. Como fazer acontecer? Como levar a que várias entidades contactadas aderissem a este evento? Uma coisa é certa, muito, ou mesmo, atrevo-me a dizer, quase tudo está por fazer, o que queríamos era apenas uma gota num oceano, mas essa gota fez a diferença, e gota a gota tudo pode mudar para melhor.

Foi feito um apelo a mergulhadores certificados, pois só assim se poderia mergulhar com garrafa e recolher lixo da baía. Contactaram-se escolas de mergulho, entidades estatais, privadas e assim se começou a “levantar amarras”, já não era apenas uma ideia, era “A ideia”.

Este evento torna real o que pode ser feito, basta haver vontade.

Foram 597 mergulhadores que a 24 de Setembro de 2022 recolheram em 12 horas cerca de 3 toneladas de lixo subaquático da baía de Sesimbra.

Foram alcançados nesse dia dois recordes mundiais do Guinness World Records: de maior número de mergulhadores participantes numa limpeza subaquática; e, também, a maior exposição fotográfica subaquática do mundo com 150 fotografias.

Tenho preocupação. Eu quero mais.

Quero fazer mais do que o básico, passar do fazer o normal para fazer o não expectável, e assim conseguimos, sozinhos ou em conjunto alcançar um bem maior para o nosso planeta, pois por enquanto, é o único que temos.

João Rainho, Sócio Originário n.º 980

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